Alunos com síndrome de Down: por que a inclusão na escola é importante?

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Em 2008 o Ministério da Educação desenvolveu a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva. O intuito do órgão foi assegurar a inclusão escolar de alunos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/superdotação, dentre eles, estão os alunos com síndrome de Down. Desde então, o país teve alguns avanços na inclusão e na melhora da vida dessas crianças.

Educação especial e educação inclusiva

Até 2001 – e, infelizmente,  erroneamente para muitas pessoas ainda hoje  – acreditava-se que a escola especial, paralela à educação comum, era a melhor opção para a aprendizagem de alunos com síndrome de Down ou qualquer outro tipo de deficiência. O lado nocivo dessa história foi que as práticas da educação especial davam ênfase aos aspectos relacionados à deficiência, em vez de focar na dimensão pedagógica.

A resolução CNE/CEB nº 2/2001 estabeleceu as Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na Educação Básica. De acordo com o seu terceiro artigo, a educação especial pode ser entendida como uma modalidade da educação escolar, definida por uma proposta pedagógica que oferte recursos e serviços educacionais especiais, de modo que apoie, complemente, suplemente e, em alguns casos, substitua os serviços educacionais comuns. 

Em 2008, com a criação da Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva, os sistemas de ensino foram orientados para garantir: “acesso ao ensino regular, com participação, aprendizagem e continuidade nos níveis mais elevados do ensino; transversalidade da modalidade de educação especial desde a educação infantil até a educação superior; oferta do atendimento educacional especializado; formação de professores para o atendimento educacional especializado e demais profissionais da educação para a inclusão; participação da família e da comunidade; acessibilidade arquitetônica, nos transportes, nos mobiliários, nas comunicações e informação; e articulação intersetorial na implementação das políticas públicas.” (Trecho na íntegra da Política Nacional de Educação Especial).

Precedendo essas mudanças, em 1994, a Declaração de Salamanca, que segue práticas da Organização das Nações Unidas (ONU), estabeleceu-se como diretriz que as escolas do ensino regular deveriam atender a todos os alunos. Desse modo, as instituições escolares deveriam oferecer acolhimento e educação a todas as crianças que sofrem exclusão escolar, desde as com deficiência, passando pelas superdotadas, até àquelas que vivem nas ruas, trabalham, e apresentam diferenças linguísticas, étnicas ou culturais. 

A Declaração de Salamanca já ressaltava a necessidade de o ensino regular atender às diferenças, de maneira mais inclusiva. Porém, sabemos que as políticas educacionais implementadas na época não foram capazes de alcançar o objetivo de fazer com que a escola comum assumisse a função de atender às necessidades educacionais de todos os alunos, inclusive os alunos com síndrome de Down.

Assim, a educação especial veio para somar, atuando de maneira articulada com o ensino comum, de forma a orientar o procedimento com as necessidades educacionais particulares. Cada um dos alunos com síndrome de Down tem sua história, suas opiniões, sua deficiência intelectual específica e, portanto, cada um precisa de um atendimento diferenciado.

APAE ou escola?

Criada em 1954, a Associação de Pais e Amigos do Excepcionais (APAE) fomenta o desenvolvimento humano e  a inclusão escolar, de modo que não se restringe ao campo educacional mas também atua no campo do trabalho. A APAE oferece, aos alunos com síndrome de Down e outras deficiências, a possibilidade de se desenvolverem social e psicologicamente. Sendo assim, tem um papel fundamental no fortalecimento da educação especial e da educação inclusiva, conforme aponta em seu manifesto.

Porém, é interessante que o aluno possa fazer parte de atividades da APAE, mas que também esteja matriculado na escola regular, como aponta o pedagogo Angelo Jamisson da Silva em seu artigo sobre o tema:  “(…) o melhor seria então desenvolver as aptidões desses alunos nesses dois espaços com muita pesquisa e meditação no processo que é oferecido para seu pleno desenvolvimento, portanto ambos se necessitam para melhor atender esses alunos.”

Alunos com síndrome de Down na escola

Apesar de terem suas particularidades, muitas crianças com síndrome de Down também têm Deficiência Intelectual (DI) associada. Isso faz com que apresentem dificuldades na aprendizagem, que podem dizer respeito à linguagem, raciocínio lógico e memória. Essas dificuldades geralmente têm reflexo na socialização e na autonomia.

Dessa maneira, é preciso que elas contem com um planejamento pedagógico que leve em consideração as características de cada criança para que, então, sejam elaboradas  estratégias diferenciadas de aprendizagem. O professor tem papel fundamental nesse processo, pois é ele que vai entender as potencialidades e dificuldades do aluno, de acordo com o desempenho do mesmo em sala de aula e por meio de trocas com a família do aluno com síndrome de Down.

Algumas estratégias são:

  • Currículo adaptado – não significa aprender algo diferente dos colegas de turma. O conteúdo é o mesmo, mas a abordagem e a avaliação são diferentes. Uma estratégia é fragmentar o assunto para facilitar a absorção do conhecimento.
  • Trabalhar com o que é visual – alunos com síndrome de Down aprendem melhor com estímulos visuais e com o que é concreto.
  • Linguagem clara e objetiva – a simplicidade ajuda no aprendizado, bem como os exemplos concretos, deixando de lado a abstração.
  • Repetição – assim como toda criança, a repetição auxilia no aprendizado. Para os alunos com síndrome de Down, isso é ainda mais valioso. 

A inclusão é um benefício para todos

A inclusão dos alunos com síndrome de Down nas escolas também é benéfica para seus colegas sem deficiência, segundo pesquisa do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP). As crianças que frequentam a escola juntamente a colegas com deficiência têm atitudes positivas relacionadas à tolerância, respeito ao outro e abertura ao diálogo.

Para os alunos com síndrome de Down, conviver com alunos sem deficiência é uma maneira de entender comportamentos e de conquistas apropriadas para a sua idade. Isso gera uma contribuição valiosa para o seu desenvolvimento social e emocional.

Contribuiu com a revisão técnica deste artigo a Federação das APAES de Minas Gerais, representada por Natália Lisce Fioravante Diniz, Mestre da Saúde da Criança e do Adolescente pela Faculdade de Medicina da UFMG e Coordenadora técnica do Instituto de Ensino e pesquisa Darci Barbosa (IEP-MG).

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