Como é a vacinação para pessoas com Síndrome de Down?

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No fim de março de 2021, o Brasil ultrapassou a triste marca de 300 mil vidas perdidas para a Covid-19 desde o início da pandemia. A média móvel, nesse período, ficou acima das 2 mil mortes por dia com uma frequência assustadora. O mais triste é saber que tantas pessoas estão morrendo — e deixando suas famílias em luto — por uma doença que já pode ser evitada com a vacinação. 

“Vacina” pode ser considerada a palavra do ano 2021: é um dos principais assuntos na mídia, um dos maiores desejos da população, uma das cobranças mais importantes que devemos fazer às autoridades. 

Quando falamos em vacinação, é natural pensarmos naquele imunizante que pode representar o fim dessa vida pandêmica. Mesmo assim, não podemos esquecer que existem várias outras vacinas indispensáveis para a nossa saúde — em especial, para a saúde das pessoas com síndrome de Down.

Vacinas para a Covid-19 — e para todas as outras enfermidades

De modo geral, os pais de crianças com síndrome de Down devem seguir o calendário de vacinação geral, aplicando todos os imunizantes necessários a qualquer criança. Mas existem alguns cuidados especiais para as crianças com Down. 

Sendo uma condição genética, a síndrome de Down influencia em diversos aspectos da saúde do indivíduo. Entre esses aspectos está a maior propensão a doenças respiratórias e a possibilidade de desenvolver formas mais severas dessas enfermidades. Por isso, a vacinação contra esses males é altamente recomendada. Entre as mais importantes estão:

  • Vacina contra o vírus Influenza, que causa a gripe comum
  • Vacina contra Pneumococo (Pneumo 23), que causa pneumonia
  • Palivizumabe, um tratamento profilático contra o VSR (vírus sincicial respiratório)

Esses três imunizantes podem ser encontrados facilmente em clínicas particulares, mas também podem ser recebidos na rede pública, desde que haja um atestado médico para comprovar a necessidade do mesmo, por conta da SD. Além das vacinas citadas acima, é recomendado também a da Hepatite A em crianças com Down, a partir de um ano.

A Covid-19 e as pessoas com Síndrome de Down

Quanto às vacinas para a Covid-19, os especialistas dizem que não há nada que impeça as pessoas com síndrome de Down de tomá-las. Pelo contrário: elas deveriam ser prioridade na fila para receber o imunizante. Isso porque diversos estudos já comprovaram que quem tem a síndrome desenvolve formas mais graves da doença. 

Um dos estudos, realizado no ano passado pela Universidade de Oxford, cruzou dados de indivíduos com e sem síndrome de Down e descobriu que as pessoas com SD têm cinco vezes mais chances de serem hospitalizadas e dez vezes mais chances de morrer, caso sejam infectadas pelo novo coronavírus Sars-CoV-2.

Outra pesquisa, realizada por cientistas dos Estados Unidos, ouviu 1046 médicos que atuaram junto a pacientes com síndrome de Down, durante a pandemia. Descobriu-se que os sintomas costumam ser semelhantes entre pessoas com e sem SD: febre, tosse, cansaço, falta de ar… Contudo, os pacientes com trissomia do 21 apresentam quadros muito mais graves da doença quando precisam ser hospitalizados, com uma taxa maior de comprometimento dos pulmões e, consequentemente, de mortalidade. 

Ainda são necessários mais estudos para descobrir as causas exatas desse fenômeno. Mas a principal hipótese é que a Covid-19 seja mais ameaçadora para as pessoas com SD por causa das alterações genéticas relacionadas à síndrome. O cromossomo 21, que as pessoas com Down têm em maior quantidade, abriga os genes TMPRSS2. Esse gene é justamente o que codifica uma enzima usada pelo vírus Sars-CoV-2 para invadir a célula.

O sistema imunológico pode ser outro problema. O cromossomo 21 inclui vários genes responsáveis pela reação do organismo às doenças. Entre as alterações que a trissomia causa estão um maior número de receptores de interferon e células mais sensíveis à estimulação desses receptores. Isso quer dizer que o corpo da pessoa com Down reage de forma muito mais intensa ao vírus. 

Sendo assim, a resposta até pode ser positiva num primeiro momento. Mas, depois de alguns dias, o organismo pode sofrer o que é chamado de tempestade de citocinas: uma reação inflamatória grave, que está ligada à mortalidade. 

As pessoas com SD devem ser prioridade na vacinação?

Em parecer técnico enviado à Federação Brasileira das Associações de Síndrome de Down, especialistas em imunologia da UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo) afirmaram que sim: as pessoas com SD devem ser priorizadas na vacinação contra o coronavírus. As principais justificativas são os riscos de desenvolverem formas graves da doença e a alta taxa de mortalidade.

Os cientistas ponderam que não se tem certeza de como será a resposta do sistema imunológico das pessoas com Down à vacina, nem por quanto tempo a imunização gerada irá durar — para isso, são necessários estudos de vigilância. Mesmo assim, a proteção contra formas graves da Covid-19 justifica a prioridade na vacinação. 

Outras entidades emitiram pareceres e notas técnicas semelhantes em todo o mundo. Por conta disso, países como o Reino Unido incluíram pessoas com síndrome de Down nos grupos prioritários para imunização. O Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), dos Estados Unidos, é outro exemplo disso. 

Aqui no Brasil, faltam diretrizes nacionais e cada estado ou município fica livre para tomar suas decisões. Em vista disso, a Federação Down está atuando junto às Secretarias Estaduais de Saúde para incluir as pessoas com síndrome de Down no grupo prioritário dos calendários de vacinação. 

No Piauí, por exemplo, as pessoas com Down começaram a receber as primeiras doses do imunizante no final de março, junto com quem tem outros tipos de deficiência físicas e intelectuais. Por outro lado, em Juiz de Fora (MG), a Câmara de Vereadores chegou a aprovar um projeto para priorizar pessoas com deficiência — que foi vetado pela prefeita com a justificativa de que o calendário do Ministério da Saúde deve ser seguido. 

Sendo assim, as pessoas com síndrome de Down e seus familiares devem acompanhar as atualizações da Secretaria de Saúde de seu estado e município para se informarem sobre a data de vacinação para quem tem deficiência. Enquanto as decisões das autoridades não saem, a proteção continua sendo indispensável para evitar cenas tristes como a do jovem Emerson Júnior. Em janeiro, uma foto dele recebendo oxigênio e sendo abraçado por um enfermeiro repercutiu na imprensa e nas redes sociais. Ele obteve direito à UTI por ordem judicial, mas o leito foi liberado só depois da sua morte. Ele tinha apenas 30 anos. 

Foto foi feita por outra paciente que estava na enfermaria

Contribuiu com a revisão técnica deste artigo a Federação das APAES de Minas Gerais, representada por Natália Lisce Fioravante Diniz, Mestre da Saúde da Criança e do Adolescente pela Faculdade de Medicina da UFMG e Coordenadora técnica do Instituto de Ensino e pesquisa Darci Barbosa (IEP-MG).

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