Conheça os principais tratamentos e terapias para o Autismo

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Você sabia que existem vários tratamentos e terapias que podem ajudar no desenvolvimento da pessoa com autismo?

Já sabemos que o Transtorno do Espectro Autista é caracterizado por comprometimentos persistentes na comunicação e na interação social em diversos contextos, bem como por padrões restritos e repetitivos de comportamentos, interesses ou atividades. Além disso, outra informação conhecida é a de sua ocorrência. O TEA atinge 1 a cada 54 crianças.

O diagnóstico precoce combinado a tratamentos e terapias comportamentais, educacionais e familiares podem reduzir os sintomas do autismo, bem como oferecer um pilar de apoio ao desenvolvimento à aprendizagem.

Por isso o acompanhamento realizado por uma equipe multidisciplinar é de extrema importância. Através desses tratamentos em conjunto é possível ter grandes avanços em relação às áreas afetadas pelo autismo.

Para entender um pouco sobre as principais especialidades médicas, terapias complementares e as principais abordagens de psicoterapia aplicadas ao autismo, continue a leitura!

Fisioterapia

Por mais que falem pouco da sua importância, o fisioterapeuta é um dos profissionais mais importantes para o desenvolvimento de habilidades motoras da pessoa autista. Durante as sessões de fisioterapia são desenvolvidas funções como andar, sentar e pegar objetos. Contudo, cada paciente tem exercícios adaptados para a sua necessidade.

Os movimentos corporais estereotipados, como balançar o corpo repetidas vezes ou mexer as mão sem parar, podem afetar o aprendizado da pessoa com autismo. Em razão disso, a fisioterapia se torna um tratamento importante para ela.

A fisioterapia é um tratamento indicado desde os primeiros anos de vida dos pacientes com TEA. Ela trabalha os aspectos motores, noção espacial, lateralidade, equilíbrio e imagem corporal, além de outras habilidades psicomotoras que contribuem com a aprendizagem acadêmica futura.

Por fim, vale ressaltar que esse tratamento contribui diretamente para as competências emocionais e sociais dos pacientes, principalmente quando está integrada a uma equipe multidisciplinar.

Fonoaudiologia

As pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) apresentam dificuldades para a comunicação social. Ter o acompanhamento de um fonoaudiólogo auxilia no desenvolvimento dessa habilidade. A fonoaudiologia trabalha os processos de linguagem e comunicação e auxilia no tratamento da criança autista desde o início do diagnóstico.

A partir de uma avaliação das dificuldades comunicativas do paciente, de acordo com a sua idade cronológica, o fonoaudiólogo trabalha no desenvolvimento de habilidades comunicativas e cognitivas. 

As barreiras para a socialização das pessoas autistas são reduzidas com a aquisição e/ou aperfeiçoamento da linguagem. Além disso, melhora o desenvolvimento intelectual e a autoestima do paciente.

Em resumo, esse tratamento, com a participação de familiares e educadores, traz maior entendimento sobre as necessidades e dificuldades da pessoa com TEA, além de saber como interagir melhor. Isso também contribui para o tratamento nas outras áreas trabalhadas.

Psicoterapia

Há diversos tipos de psicoterapias voltadas a pessoas diagnosticadas com TEA. Contudo, a terapia mais apropriada vai depender das necessidades e dificuldades de cada paciente, considerando que cada condição é única.

Falaremos aqui sobre a Análise do Comportamento Aplicada, na bibliografia, é um dos tratamentos mais indicados para o ensino das pessoas com autismo. 

ABA

A Análise Comportamental Aplicada (ABA) tem por objetivo aprimorar e induzir comportamentos com intervenções personalizadas para cada paciente. Em outras palavras, a terapia trabalha áreas como coordenação motora, adaptação ambiental e habilidades sociais.

A terapia tem como finalidade a aprendizagem sem erros, de maneira que se defina os comportamentos alvo e utilize as diversas técnicas da abordagem para promover tais respostas do indivíduo, favorecendo a interação social, participação e autonomia nos diversos ambientes. 

Dentre as habilidades desenvolvidas na ABA, estão:

  • o contato visual e comunicação funcional;
  • comportamentos acadêmicos, tais como pré-requisitos para leitura, escrita e matemática;
  • hábitos de higiene pessoal e atividades de vida prática;
  • redução de comportamentos estereotipados e/ou autolesões;
  • ampliação de tolerância e aumento da motivação. 

Abordagens, métodos de ensino e terapias complementares

TEACCH

O Tratamento e Educação para Autistas e Crianças com Déficits Relacionados à Comunicação (TEACCH, na sigla em inglês) é um dos métodos mais utilizados no Brasil para o desenvolvimento global de pessoas com autismo.

Baseado na psicolinguística e na criação de rotinas visuais, o tratamento trabalha com instruções por meio de objetos sinalizadores, fotografias, ícones e pictogramas voltados ao aprendizado de hábitos saudáveis sem que haja interrupções. A eliminação de estímulos sensoriais que perturbam ou confundem o paciente é uma forma de aplicação técnica, por exemplo.

Com o avanço do tratamento, o indivíduo passa a se tornar mais independente, ampliando suas capacidades de percepção e interpretação.

Aliado a uma equipe multidisciplinar, o protocolo TEACCH permite a elaboração de um programa individual, avaliando o comportamento do paciente nos ambientes que frequenta e assim, realizando as adequações favoráveis ao desenvolvimento cognitivo, psicomotor e comportamental.

PECS

Traduzido como Sistema de Comunicação por Troca de Figuras (do inglês Picture Exchange Communication System), o PECS é uma abordagem criada para melhorar e desenvolver as funções de comunicação.

Desenvolvido nos Estados Unidos em 1985 e implementado em todo o mundo, o sistema foca na funcionalidade da linguagem, para que o paciente consiga se fazer entender e possua mais independência na hora de se comunicar.

A terapia baseado em PECS deve ser individualizada a cada paciente para ocorrer adequação e avanço nas diferentes etapas do tratamento. A princípio, o protocolo, baseado na troca de figuras, opera apenas na formação de “parceiros de comunicação” por meio das imagens.

Com o avanço das fases e o objetivo de gerar diálogos significativos, os indivíduos são instigados a responder perguntas e comentar sobre suas escolhas.

Acima de tudo, os profissionais da Fonoaudiologia são os principais agentes do trabalho de comunicação. Entretanto, vale ressaltar que todas as pessoas envolvidas (familiares, educadores e terapeutas) são parceiras de comunicação e devem assumir essa responsabilidade. Afinal, a comunicação é um direito e ela acontece onde o indivíduo está!

Musicoterapia

Diversos estudos já mostraram que a música contribui para o desenvolvimento da aprendizagem da pessoa autista.

Mas as aulas de musicalização são diferentes das sessões de musicoterapia. Enquanto a primeira tem o objetivo de desenvolver o conhecimento sobre os instrumentos, a segunda é definida como uma forma de tratamento por meio da música.

A musicoterapia aliada a outras práticas, pode auxiliar na facilitação da comunicação verbal e não verbal, bem como no aprimoramento da criatividade e na redução da hiperatividade.

Junto a outros tratamentos, a musicoterapia traz diversos benefícios para a pessoa com autismo. Tudo isso faz da música uma ótima ferramenta para o desenvolvimento cognitivo e expansão das habilidades sociais.

Hidroterapia

A hidroterapia é uma das principais indicações no tratamento para melhora da qualidade de vida das pessoas com TEA. Há diversas evidências científicas de que a hidroterapia possui eficácia, como os estudos realizados por Ennis (2015), que demonstraram progresso nas habilidades físicas, comportamentais e sociais de autistas por meio da terapia.

Os estímulos oferecidos durantes as aulas podem incluir música, brinquedos, e esportes como o vôlei e o futebol. Além de aproximar a pessoa autista dos colegas, contribuindo para a socialização, esses estímulos favorecem a concentração e a aprendizagem.

Nesse sentido, com a densidade da água e os estímulos sensoriais, a terapia facilita o desenvolvimento da fala, a coordenação motora, e diversos aspectos sociais, como a confiança e a autoestima da pessoa com TEA.

Equoterapia 

A equoterapia é muito estudada como intervenção terapêutica para pessoas autistas. Assim como a musicoterapia e a hidroterapia, a equoterapia também possui embasamento científico com excelentes resultados, como demonstrou Helyne Quirino, em 2015.

O autor defende que a interação entre o paciente e o cavalo promove a melhoria na coordenação motora, estímulo dos sentidos, redução das estereotipias e expansão da autoconfiança.

Os movimentos do cavalo são únicos e exigem a participação do corpo inteiro do paciente, que os percebe e os interpreta, adequando a postura e permanecendo em equilíbrio para se manter sobre o cavalo. Portanto, essa terapia também contribui para as funções neuromusculares e psicológicas. A interação com o animal é prazerosa e promove ainda o contato com a natureza.

Conclusão

Como você pode ver, os tratamentos do autismo englobam diferentes áreas da saúde e educação. Esses tratamentos são oferecidos em instituições gratuitamente, mas muitos tem custo alto ou até inacessíveis para familiares e responsáveis.

E se você quiser, existem alternativas para você apoiar essas famílias e contribuir para a continuidade de diversos tratamentos de adultos e crianças autistas!

O Causei o Bem apoia a inclusão social e você pode apoiar também. Com uma doação de R$ 1,00 por dia, as APAEs podem continuar desenvolvendo seu trabalho e sendo a diferença na vida de tantas crianças! 

Faça a sua parte, doe!

Contribuiu com a revisão técnica deste artigo a Federação das APAES de São Paulo, representada por Patrícia Regina Dupim (Técnica Especializada em Saúde) e Priscila Foger Marques Penna (Coordenadora Estadual de Saúde).

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