O que é microcefalia? Sintomas, causas e tratamentos

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A microcefalia tornou-se um tema amplamente abordado após a pandemia do Zika vírus no Brasil, em 2015. Desde então, mais de 3.400 bebês nasceram com microcefalia congênita no país por conta da epidemia. A condição neurológica rara se caracteriza por alterações no crescimento do cérebro dentro da caixa craniana.

A microcefalia geralmente reduz o desenvolvimento cerebral da criança, uma consequência de um cérebro menor, por conseguinte de uma cabeça com a estrutura menos desenvolvida.

Mesmo que varie muito de caso para caso, a microcefalia causa traços comuns na maioria das crianças que nascem com ela e requer um cuidado ainda maior por parte de mães, pais e cuidadores.

É importante apontar que existem casos de crianças com inteligência e desenvolvimento satisfatório apesar da menor circunferência do crânio. Ainda que seja uma condição física permanente, é possível que a pessoa com a condição leve uma vida normal se progredir e tiver acesso aos tratamentos adequados.

Continue a leitura e entenda mais sobre a microcefalia, suas causas, sintomas e tratamentos!

Por que ocorre a microcefalia?

A microcefalia pode acontecer de duas maneiras. A seguir explicamos a ocorrência de cada uma delas. Fique atento!

Microcefalia verdadeira ou primária

De causa genética hereditária, esse tipo de microcefalia é causada pela herança genética do gene irregular do pai e outro da mãe, que não manifestam a condição.

Além disso, ela também pode estar relacionada com várias síndromes genéticas e irregularidades cromossômicas, ocorrendo em crianças com as síndromes de West, Down e Edwards.

Microcefalia por craniossinostose 

Essa relaciona-se a causas secundárias, que fecham prematuramente as moleiras e as suturas entre as placas ósseas do crânio. A criança sem a condição da microcefalia tem elas abertas até um ano e meio de idade, para que o cérebro possa crescer. Esse fechamento adiantado pode afetar o feto dentro do útero, principalmente nos três primeiros meses de gestação, ou, então, depois do parto, ao longo dos dois primeiros anos de vida da criança.

Como abordamos, uma das causas da microcefalia é o Zika vírus. De acordo com pesquisa publicada em setembro de 2016 no periódico Cell Host & Microbe, o Zika vírus ataca as células cerebrais fetais, classificadas como células progenitoras neurais. A partir dessas células que se formam os ossos e a cartilagem do crânio. Justamente por decorrência dessa ação que há a má-formação craniana em bebês de mães infectadas durante a gravidez.

De forma geral, vários vírus podem causar microcefalia. Dentre eles estão:

  • o da Chikungunya;
  • da rubéola;
  • o citomegalovírus;
  • o herpes vírus;
  • a toxoplasmose;
  • alguns estágios da sífilis, especialmente quando ocorrem no primeiro trimestre de gestação. 

Outras causas são o consumo de cigarro, álcool ou drogas — como cocaína e heroína — ao longo da gravidez, HIV positivo materno, meningite, síndrome de Rett, desnutrição, doenças metabólicas na mãe, como fenilcetonúria, intoxicação por metilmercúrio, exposição à radiação durante a gestação, e uso de medicamentos contra epilepsia, hepatite ou câncer, nos primeiros três meses de gravidez.

Reflexos físicos e na vida de pessoas com microcefalia

De maneira geral, pessoas com microcefalia apresentam perímetro craniano menor do que 33cm ao nascer, inferior a 42cm ao completarem um ano e três meses e menor do que 45cm depois dos dez anos de idade. Entretanto, esses valores se alteram caso o bebê seja prematuro. 

Nesse sentido, os pacientes podem apresentar uma deformidade craniofacial por conta da discordância entre o crescimento do crânio e o do rosto. As características mais comuns são:

  • Cabeça pequena;
  • Cérebro com partes lisas, em vez das saliências e reentrâncias habituais;
  • Couro cabeludo solto e levemente enrugado;
  • Testa curta e projetada para trás;
  • Face e orelhas maiores em comparação com o restante.

Dependendo da extensão da má-formação, podem surgir alguns distúrbios, como, por exemplo:

  • Déficit cognitivo grave;
  • Comprometimento visual, auditivo e da fala;
  • Hiperatividade;
  • Baixo peso e estatura (nanismo);
  • Convulsões (epilepsia);
  • Problemas visuais;
  • Perda de audição;
  • Atraso mental;
  • Paralisia;
  • Autismo;
  • Rigidez dos músculos do corpo (espasticidade).

Diagnóstico e tratamento

A microcefalia pode ser diagnosticada ao longo da gestação por meio dos exames pré-natais, bem como após o parto do bebê, durante a avaliação clínica de rotina. O diagnóstico considera o perímetro craniano em relação com os dados das tabelas de crescimento padrão.

Alguns exames, como tomografia computadorizada, raio x, testes sanguíneos, ressonância magnética e mapeamento ósseo auxiliam na determinação da causa da condição para que se possa saber qual é o melhor tratamento.

Contudo, em alguns casos, quando a união prematura das suturas dos ossos da caixa craniana é diagnosticada antecipadamente, é viável submeter o paciente a uma cirurgia para separá-los nas primeiras semanas de vida. Isso funciona como uma forma de evitar a compressão do cérebro que impede seu crescimento e provoca complicações mais graves. 

Por ora, não há alternativa para a maioria dos casos. O tratamento oferece um controle às complicações e estimula o desenvolvimento de habilidades para que o paciente tenha uma melhor qualidade de vida.

Fonoaudiologia

É importante que a criança tenha acompanhamento de um fonoaudiólogo pelo menos três vezes por semana. Também é importante que os pais persistam e falem com a criança olhando nos olhos e cantando canções, mesmo que ela aparentemente não responda ao estímulo. Além disso, o uso de gestos pode facilitar o entendimento e é indicado para acompanhar a fala, facilitando a compreensão.

Fisioterapia

A fim de propiciar o progresso motor, aperfeiçoar o equilíbrio, dificultar a atrofia dos músculos e os espasmos musculares, bem como auxiliar no desenvolvimento, é imprescindível fazer o máximo de sessões de fisioterapia possível. É indicado que o número mínimo de sessões seja de três vezes por semana. Os exercícios com bola de Pilates, alongamentos, sessões de psicomotricidade, assim como a hidroterapia, são muito benéficos.

Terapia ocupacional

Para crianças com idade mais avançada, a terapia ocupacional auxilia na autonomia, momento em que se treina atividades diárias, como escovar os dentes ou comer, com o uso de equipamentos especiais, por exemplo, ou mesmo adaptações simples.

Educação formal (escola regular)

O intuito é que a criança socialize com outras sem microcefalia, podendo, assim, participar de jogos e brincadeiras que promovem a interação social. 

Nesse sentido, os pais têm o papel de estimular a criança o máximo possível, promovendo brincadeiras de frente para o espelho, e a incluindo sempre que possível em reuniões de família e amigos.

Medicamentos

De acordo com os sintomas, pode ser que a criança precise tomar anticonvulsivante ou tratar a hiperatividade com medicamentos, por exemplo.

Devido à tensão excessiva, pode-se utilizar analgésicos com a finalidade de diminuir a dor nos músculos. Vale ressaltar que a a medicação deve ser realizada sempre por um profissional.

Toxina botulínica

Para auxiliar na questão da rigidez muscular, as injeções de toxina botulínica, também conhecida como Botox, podem ser indicadas para algumas crianças que apresentam os músculos intensamente contraídos. Elas também podem melhorar os reflexos naturais do corpo, facilitando as sessões de fisioterapia. Converse com um médico para saber mais.

É importante que a criança seja incluída na vida familiar e tenha amigos, de acordo com as suas possibilidades. O Causei o Bem defende a inclusão social de todas as crianças. Colabore com uma doação de R$ 1,00 por dia. 

Assim, as APAEs podem continuar desenvolvendo seu trabalho e sendo a diferença na vida de tantas crianças! 
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